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terça-feira, 12 de julho de 2011

São Paulo sobe em ranking é e 10ª cidade mais cara do mundo

São Paulo é a 10ª cidade mais cara do mundo. De 2010 para cá, a capital paulista subiu 11 posições na Pesquisa de Custo de Vida 2011 realizada pela consultoria Mercer, que é elaborada com base nos gastos de funcionários expatriados. A pesquisa compara mais de 200 itens em cada local, incluindo moradia, transporte, alimentação, vestuário, utilidades domésticas e entretenimento.]
Como os custos são transformados em dólar norte-americano, a valorização do real acabou contribuindo para São Paulo subir tantas posições no ranking. Com a alta, a cidade ultrapassou locais como Londres (18ª colocada), Milão (25ª) e Paris (27%), que no ano passado apareciam antes da capital paulista na lista.
“Em geral, as taxas de câmbio na América do Sul permanecem relativamente estáveis, com exceção do real brasileiro, que teve significativo fortalecimento diante do dólar americano. Por isso, as cidades brasileiras subiram no ranking," diz em nota Nathalie Constantin-Métral, pesquisadora sênior da Mercer e responsável pela compilação anual do ranking. O Rio de Janeiro também ganhou posições, passando do 17º lugar ao 12º.
As 10 mais caras
Além de São Paulo, Cingapura também foi uma novidade na lista das 10 cidades mais caras do mundo, no 8º lugar, vinda do 11º.
Mas Luanda, em Angola, pelo segundo ano consecutivo é a cidade mais cara do mundo para expatriados. Segundo Constantin-Métral, “encontrar moradia boa e segura para empregados expatriados é um verdadeiro desafio na maioria das cidades africanas da lista, e os custos podem ser significativos comparados aos de outras regiões."
Tóquio permanece na segunda posição e a africana N’Djamena, no Chade, em terceiro lugar. Moscou vem a seguir na quarta posição, com Genebra em quinto e Osaka em sexto. Zurique subiu uma posição para a sétima do ranking, enquanto Hong Kong caiu para o nono lugar.
No outro extremo do ranking, Carachi (214º), no Paquistão, está classificada como a cidade menos cara do ranking, que lista as 214 mais caras do mundo. A pesquisa constatou que Luanda, no topo da lista, supera o custo de Carachi em mais de três vezes.
10 CIDADES MAIS CARAS DO MUNDO
1
Luanda  (Angola)
2
Tóquio (Japão)
3
N'Djamena (Chade)
4
Moscou (Rússia)
5
Genebra (Suiça)
6
Osaka (Japão)
7
Zurique (Suiça)
8
Cingapura (Cingapura)
9
Hong Kong (Hong Kong, China)
10
São Paulo (Brasil)

Europa e EUA
Já na Europa Ocidental, o custo de vida para expatriados permaneceu relativamente estável nos últimos 12 meses, segundo Constantin-Métral . “Porém, muitas das cidades da região ainda caíram no ranking. Isso ocorreu em grande parte porque outras cidades ficaram mais caras, e assim as ultrapassaram. Algumas reduções no custo de moradia em virtude da recessão econômica também estão por trás das mudanças nos rankings de algumas cidades europeias – em particular Atenas e Barcelona.”
Na posição 32, Nova York é a cidade mais cara nos Estados Unidos.
Oriente Médio e Ásia-Pacífico
Em 24º, Tel Aviv caiu cinco posições em relação ao ranking de 2010, mas continua a ser a cidade mais cara do Oriente Médio.
A alta da moeda local, assim como ocorreu no Brasil, também levou cidades australianas a saltarem no ranking. O dólar australiano teve valorização de quase 14% em relação ao dólar americano. Com isso, Sidney (14º) subiu dez posições em relação a 2010, Melbourne passou de 33 para 21, e Perth subiu 30 posições, ocupando agora o 30º lugar. Com 44 posições acima em relação a 2010, Adelaide (46º) é a cidade que mais subiu no país.
A cidade mais cara da Ásia é Tóquio (2º), seguida por Osaka (6º). Em seguida estão Cingapura (8º), Hong Kong (9ª) e Nagoya (11º). Seul (19º) caiu cinco posições. Na China, Pequim ficou em 20º lugar, seguida por Xangai (21º), Guangzhou (38º), Shenzhen (43º) e Taipei (52º). Segundo Constantin-Métral, “a maioria das cidades asiáticas subiu no ranking, pois a disponibilidade de moradia para expatriados é limitada e a demanda é alta.”
Nova Deli (85º) é a cidade mais cara da Índia, seguida por Mumbai (95º) e Bangalore (180º). 
  
Olívia Alonso, iG São Paulo 12/07/2011 12:31

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Debate na Flip contrapõe ceticismo filosófico com ciência

O humano além do humano. Para o neurocientista Miguel Nicolelis, uma possibilidade. Para o filósofo Luiz Felipe Pondé, um risco. A última mesa da quinta-feira (dia 7) da Flip 2011 teve duas performances inspiradas e um público pronto a responder com palmas ou risadas às muitas frases de impacto.
Performances enriquecidas pela oposição entre o ceticismo radical de Pondé – "o que caracteriza o ser humano é o sofrimento" – e a crença no poder da ciência de Nicolelis – "estamos próximos do instante em que o cérebro primata vai se libertar dos limites físicos do corpo". Ponto para a curadoria, que além de acertar na escolha dos nomes, reservou o horário mais nobre do dia para o encontro.
Nicolelis começou sua apresentação – cheia de recursos audiovisuais – descrevendo o cérebro como "prisioneiro desse corpo de primata que tem ações limitadas" e suas pesquisam que buscam tornar o cérebro capaz de comandar máquinas robóticas.
Proeza que pode significar a recuperação dos movimentos para pacientes com lesão medular. A meta, afirmou, é fazer a primeira demonstração pública de uma prótese de corpo inteiro, comandada por uma criança paraplégica, na Copa de 2014 – "um gol da ciência brasileira".
A voz embargada e o conteúdo do anúncio – em tom de promessa – fizeram o público entusiasmar-se. Não à toa, a ótima mediadora, a jornalista Laura Greenhalgh, em sua próxima intervenção, questionou-o sobre o uso que faz de imagens religiosas para explicar conceitos científicos. Nicolelis defendeu o uso, por conta de sua eficácia na transmissão de conhecimentos complexos para leigos.
Ciência versus religião
O que para Nicolelis conduz a uma vida melhor, para Pondé significa um perigo. A necessidade do ser humano de ir além de si mesmo, explicou o professor de ciências da religião, casa-se com os projetos de uma engenharia político-social que, em última instância, tem muito a ver com eugenia.
Baseado no pensamento do filósofo alemão contemporâneo Peter Sloterdijk de que a eugenia – na forma da busca contínua do ser humano de se superar e diminuir seu sofrimento – está no cerne do pensamento científico e filosófico ocidental, Pondé alertou: "os cérebros podem ser enormes máquinas de produção de crenças monstruosas".
Em algo, no entanto, o cético e o otimista concordam: a ciência nunca será capaz de criar máquinas com consciência humana.
Reportagem de Estevão Azevedo, especial para o iG Cultura | 07/07/2011 23:22

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Erros gramaticais não são eliminatórios, mas prejudicam imagem.

Enquanto caminhava por uma rua na Vila Olímpia, bairro nobre de São Paulo, o gerente de projetos em internet Celso Bessa deparou-se com o cartaz de um restaurante que anunciava que aquele era dia de “lazanha à balanhesa” e “talharim com almondas”. Apesar de os erros gramaticais não terem sido a principal razão para Bessa passar reto pelo restaurante, eles foram um fator de discriminação. “Em um local como aquele, a escrita errada poderia determinar se as pessoas entrariam lá ou não”, diz Bessa.
Se um restaurante pode ser eliminado por conta de erros em seu letreiro, o mesmo não acontece obrigatoriamente com um candidato a uma vaga de trabalho, mas há um risco. Valéria Gomes, consultora sênior da Cia de Talentos, afirma que existe uma enorme tolerância com os erros de português. “Infelizmente, estão matando a nossa língua. Hoje, deslizes gramaticais não são mais eliminatórios porque a maioria das pessoas erra”, afirma.
Polêmica
Foto: Arquivo Pessoal
Sônia Helena Garcia: Fala-se tanto em dominar outros idiomas, mas as pessoas se esquecem de priorizar a nossa língua

Valéria diz ainda que, em seis anos de consultoria e vendo mais de 3.000 candidatos por ano, encontrou apenas dois que tinham um português brilhante. “O problema também é que se você for mais purista na língua é tido como erudito. O normal é errar e existe um movimento de aceitação desse erro.” 
A polêmica sobre a distribuição pelo Ministério da Educação (MEC) do livro “Por uma Vida Melhor”, que continha erros de concordância, é um retrato disso. Um dos trechos dizia: “'Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado'. Você pode estar se perguntando: 'Mas eu posso falar 'os livro?'.' Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico.”
Sônia Helena Garcia, diretora-executiva da Ricardo Xavier Recursos Humanos, diz sentir um declínio notório no ensino e conta que vê profissionais em altos cargos cometendo vícios de linguagem. “Fala-se tanto em dominar outros idiomas, mas as pessoas se esquecem de priorizar a nossa língua”, lamenta.
Há ainda os erros gramaticais regionais, aponta Valéria. “No Rio de Janeiro, é comum dizer ‘tu vai’. Isso pode agredir os ouvidos dos paulistas que, por sua vez, são acostumados a dizer ‘um shorts, um óculos’, o que também soa estranho ao carioca.”
Má impressão
Celso Bessa conta que apesar de não ser eliminatório, os erros gramaticais contam negativamente contra um candidato ou um fornecedor de serviços, em especial em determinadas áreas específicas. “Eu tendo a ser mais exigente com pessoas que eu acho que deveriam saber a norma culta. Por exemplo, jornalistas e advogados.”Para Valéria, da Cia de Talentos, a solução para encontrar candidatos ideais é fazer triagens com testes de múltipla escolha. “Avaliamos se eles se têm um bom padrão acadêmico por conta da interpretação de textos e da semântica.”
Mas, apesar do estudo e da leitura constante, ninguém está livre de cometer erros. A publicitária Tatiana Pilon confessa que já tropeçou no idioma. “Eu era gerente de marketing de uma empresa que vendia e consertava equipamentos. Ao escrever os cartões de visita, troquei consertos por concertos. Tive que arcar com o prejuízo e desde então, releio tudo o que escrevo.” 


Maria Carolina Nomura, iG São Paulo 07/07/2011 05:58